As várias fases da vida de uma pessoa deve ser lembrada e reverenciada de acordo com sua importância junto à comunidade. Do nascer ao morrer, passando por todos estágios, há muita história a contar. E assim quis Tyrone Perrucho, se mostrando em ciclos, épocas, até sua última morada, o que não é comum para todos os mortais. Na sociedade ocidental a morte é uma passagem para ficar guardada apenas na memória. O velório e sepultamento não fazem parte do álbum de fotos de família e esses registros são feitos – clicados – apenas como documentos legais ou para o noticiário de pessoas famosas, realizadas por jornais e revistas.
Na passagem pela terra o homem nasce cresce e morre. Não tão simples assim, pois desde o nascimento a família mantém a tradição de guardar e registrar os melhores momentos, sobretudo em datas especiais. Com o aparecimento da fotografia, essa tarefa ficou mais fácil e é retratada em papel os meios digitais. Menos no evento morte. Um costume que vem desde os israelitas e que está insculpido no Velho Testamento é a exaltação da vida; morto, o homem passará às trevas. “Porque no seio da morte não há quem de vós se lembre; quem vos glorificará na habitação dos mortos? (Sl 6,6).
Já no Novo Testamento a morte ganha novo conceito de reverência aos mortos, principalmente na Igreja Católica, que introduziu em sua liturgia a exaltação aos mortos, o luto e as orações. Com o passar dos anos, a recordação aos mortos ganha as construções nos cemitérios, cujas sepulturas se transformam em locais de oração. Não pensava exatamente assim Tyrone Carlos de Carvalho Perrucho, que passou a estudar as três fases da vida, de forma idêntica, que deveria ser lembradas, de forma igualitária, porém distintas. Para ele, a morte era o nascer para a vida eterna. A morte é o fim de quem nasceu e viveu.
Com essa premissa, há quatro anos – após muitos anos de pesquisa sobre as fases da vida –, Tyrone Perrucho tomou a iniciativa de organizar o evento da sua morte. E numa dessas “peças”, montou um álbum fotográfico com fotos retratando desde a mais tenra idade aos dias de hoje, encerrando com a urna mortuária, onde pretensamente repousaria para sempre. Sentindo-se calejado com as mortes ocorridas na família e em amigos mais chegados, Tyrone expressou que a morte, mesmo sendo um mistério para muitos, e o fim definitivo para uns, ele entre esses uns. Nada mais justo reverenciarmos esse gesto, por uma de suas últimas vontades. (Versão Site)

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