Terça, 06/08/2019
Nascido na cidade de Ilhéus em 16 de Dezembro de 1866, Manoel Misael Tavares da Silva, foi uma importante personalidade da história de Ilhéus e da economia brasileira. Ele era considerado o Rei do Cacau, por ter sido o maior produtor do mundo no segmento. Foi também banqueiro, político e industrial e deixou para a cidade de Ilhéus um legado com inúmeras obras. Em destaque, o “Ilheus Hotel”, construído em 1930, fruto da visão empreendedora e espírito pioneiro do Coronel.
O imóvel foi o primeiro edifício em concreto armado, com vários andares, construído na cidade. Abrigou um hotel de luxo e o Banco Misael Tavares, que possui o primeiro elevador do interior do estado, em funcionamento até os dias de hoje.
Com recursos próprios, em 1989, o filho mais novo do Cel. Misael Tavares, o Sr. Misael Berbet Tavares investiu em uma grande restauração do Hotel, pois reconhecia a importância e o valor histórico e artístico do prédio para a comunidade de Ilhéus e da Bahia. Este prédio histórico, hoje faz parte do patrimônio histórico arquitetônico da cidade, tombado em 2002, com o Decreto nº 063/2002 pelo prefeito Jabes Ribeiro. Conhecido como ILHÉUS HOTEL, está localizado no Centro Histórico de Ilhéus, no Quarteirão Jorge Amado, Rua Eustáquio Bastos, 144, Centro (73).
O coronel Manoel Misael da Silva Tavares nasceu em Olivença, no dia 16 de dezembro de 1867 e faleceu no Rio de Janeiro em 9 de fevereiro de 1938. Dizem que nasceu pobre e foi tropeiro (tocava as mulas que levavam o cacau para o cocho).
A partir do final do século dezenove já emprestava dinheiro e seu nome consta, na Associação Comercial do Estado, como proprietário de loja comercial. Possuiu inúmeras fazendas de cacau e chegou a produzir mais de cem mil arrobas do produto (cada arroba tem 15 quilos). Foi um dos homens mais ricos do sul da Bahia. Mais que um coronel do cacau, do que o “Rei do Cacau”, foi um grande empreendedor, um homem que deixou inúmeras obras na cidade, ainda hoje imponentes.
Dizem que o coronel, em termos de escolaridade, só tinha o curso fundamental, mas isso não chegava a ser um fato incomum, poucas pessoas tinham oportunidade de frequentar uma escola. Isso, no entanto, não os impedia de saber ler e escrever, pois eram autodidatas. Quando Ilhéus ainda não possuía banco, o coronel Misael fundou uma casa bancária, emprestando dinheiro a juros.
O Palacete Misael Tavares foi inaugurado no dia 16 de dezembro de 1922, dia do aniversário do seu proprietário. Foi oferecido um grande almoço e tinha uma orquestra para abrilhantar a festa. Após o falecimento do coronel Misael Tavares, com a partilha dos bens, o Palacete passou a pertencer às famílias Berbert Tavares e Silveira Dórea.
Os novos donos resolveram colocar o prédio à venda. Em 1960 o prefeito Herval Soledade mostrou-se interessado em adquiri-lo para a Prefeitura de Ilhéus, mas não foi possível realizar a transação. Foi então que os maçons da Loja Maçônica Regeneração Sul Baiano se reuniram sob o comando de Álvaro de Melo Vieira para comprá-lo. Formaram o “Condomínio Palacete Misael Tavares”, constituído de vinte maçons que conseguiram levantar a importância correspondente ao preço da aquisição do Palacete.
A rua onde este prédio está localizado, Antonio Lavigne de Lemos, tornou-se famosa porque seu calçamento é diferente dos demais. As pedras vieram da Europa como lastro de navio e tinham como destino o Mercado de São Sebastião, no Rio de Janeiro. Na saída da barra o navio encalhou e o prefeito municipal arrematou as pedras e mandou calçar aquela rua, transformando-a assim em um patrimônio histórico da cidade. Existem muitas versões sobre a origem do calçamento, mas o conceituado memorialista Raimundo Sá Barreto afirma que as pedras são inglesas e foram compradas pelo prefeito João Mangabeira, que governou de 1908 a 1911. Misael Tavares faleceu aos 71 anos no Estado do Rio de Janeiro, por colapso cardíaco.


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